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“Vejo um velho largado em uma cadeira encostada na parece descascada e manchada de fumaça, que nada faz para espantar o tédio ou reparar os erros que cometeu...
Lá longe se vai alguém magoado por palavras duras que ele disse e nem sequer esboçou sentimento ou se arrependeu.
E com isso, sua vida vai ficando vazia, vai perdendo a resina que veda as rachaduras por onde escoa tudo que poderia ter sido vivido com alegria... As dores causadas ao outros não lhe incomodam, talvez pense: “Antes eles do que eu” – mas não sabe que a dor causada a alguém é um lampejo nítido de algo que muito antes lhe sucedeu.
Ninguém é capaz de dar o que nunca recebeu...
Se encontra em uma posição de desvantagem, não tem mais idade pra se fazer de imaturo e dizer que tudo fez sem saber, por outro lado, não se atreve à ter coragem de procurar no suicídio o consolo que agora viria tão tarde.
Uma vida inteira em vão, um corpo feito de casca que já não sente o toque de nenhuma mão.
Tudo poderia ter sido uma perfeita simetria, mas não passou de uma existência tortuosa e fria causada por um coração marrento que não soube receber o mínimo de amor que até o pior dos seres mereceria...
Bom, lá continua o velho isolado, esperando como um pobre coitado, sua definitiva companhia... a morte logo vem, à noite, madrugada ou dia e o levará para uma existência não muito diferente da que já ele tinha, mas só ele não sabe disso...”
by Wiltin Ribeiro
criado por Wiltin
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