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"Hoje consegui ver as estrelas que outrora eu não conseguia
Porém, vejo muito maior os buracos que antes eu caía
Acho que não consigo tapá-los
E só depois que caio é que consigo encontrá-los
Queria poder ver a luz apagada e saber que posso ligá-la
O problema é que sequer consigo enxergá-la
Mas se é verdadeira a minha teoria de que a vida é feita de um quebra-cabeças de problemas,
Então me pergunto: Será que vivê-la, realmente vale a pena?
Tenho escolhas, tenho opções, mas não consigo me decidir
É melhor ficar parado onde estou, ou pegar o primeiro caminho e seguir?
Vou contando tudo, cada passo, cada choro, cada fracasso
Vou perdendo tudo, cada certeza, cada esperança, cada pedaço
Tenho músicas como companhia e elas me entendem melhor que ninguém
Mas se por um lado elas me ajudam, por outro elas me detêm
Crio e vivo no meu próprio mundo
Onde tudo é absurdo, os sons são mudos, e o golpe é mais profundo
E às vezes, os estilhaços partem de mim e vão muito além
Mesmo sem querer deixar minhas dores afetarem ninguém
Meu tempo é tão escasso, e não consigo viver cada momento como se fosse o último, aproveitando completamente
E lamento que o último momento não tenha sido há dois minutos atrás, pra tudo já ter acabado finalmente
Não sou plágio pra seguir migalhas dos outros
Mas sem eles, ainda me sinto pior, mesmo que meus verdadeiros amigos sejam tão poucos
Por que elogios são tão fáceis de se esquecer?
E as críticas tão permanentes, me fazendo apodrecer?
Tenho medo do que pode estar por vir, porque não consigo ser otimista
Não vejo grandes acontecimentos no futuro, como se alguém ofuscasse as minhas vistas
Sei que não sou vítima da vida, porque sou meu próprio vilão
Me forço a sofrer como uma forma justa de punição
Mas que mal eu fiz pra me culpar?
E o que eu preciso fazer, pra que mesmo sem saber a razão, eu consiga me desculpar?
Não posso culpar ninguém pela deformidade da minha alma
A provável solução seria tentar me conter, adquirir um pouco de calma Tudo que tenho me parece ser um grande baú absolutamente cheio de nada
Mas é tudo o que tenho pra dividir com minha companheira, a desgraça
Vou me deitar um pouco e dar descanso ao corpo que pede pra eu me entregar
Dar um pouco de alívio para a casca que consegue me embalar
Melhor deixar tudo correr solto
Vivendo bem um dia, e muito mal o outro
E como sei que a solução não está nas minhas mãos
Não vou lamuriar palavras sagradas em vão
Estou sendo visto por alguém e na hora certa vou ser resgatado
E tenho que organizar minha cabeça pra quando isso acontecer, eu ser um pouco mais grato
Vou voltar pro meu mundinho
Onde tudo é feito de paisagens e de moinhos
Deixar que uma cápsula me acalme e me traga tranqüilidade
Até a hora que toda essa calma, seja na minha vida, a mais pura realidade..."
by WILTON RIBEIRO
criado por Wiltin
13:35:43