"DECIFRA-ME OU TE DEVORO"

"...SIMPLESMENTE UMA METRALHADORA VERBAL..."

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Arquivo de: 2008

26.10.08

Post 33

“Não estou interessado em viver arrasado por uma vida que não sei se vencerei
Já me rastejei por pessoas como alguém que conhece a menina com o poema escrito no pé e que faz tudo para poder ler
Pra quem devemos reclamar quando nos prometem um pedacinho do céu e nos dão um cantinho no inferno?
E como colocar pra fora toda essa questão psicológica e inexplicável que desanimadoramente costumam chamar de demônio interno?
Cansado há tanto tempo, tenho preferido a estática monótona, mas ao menos previsível, do que esperar algo bom, que nunca aparece ou passa de modo imperceptível
Quando foi que eu pedi pra passar por tudo isso?
Quando foi que eu joguei fora o meu lucro pra viver no prejuízo?
Dizem que é questão de não desanimar, seguir em frente, tentar novamente...
Mas quem inventou isso foi um sortudo que nunca passou pelo que passei ou passo nos meus dias freqüentemente
Só queria um cantinho de paz, sem luxo nem mordomia, ser meu dono, minha perdição, meu caminho e meu guia
Mas minha alma, hora cheia de perturbações, hora completamente vazia, me avisa dessa impossibilidade e me anestesia
Pra onde foram as possibilidades que eu enxergava?
A vida que eu sonhava?
A pessoa que eu esperava?
O caminho que eu trilhava e que agora não vejo mais?
Pra onde foram os amigos?
Os abrigos?
Os gestos de amor característicos, que eu pensava que não me abandonariam jamais?
Não quero gastar tempo fazendo discurso de alma machucada, tampouco falar muito querendo não dizer nada
Não vou dizer que seguirei em frente, porque não enxergo um caminho, nem dizer que ficarei bem, mesmo estando sozinho
Não farei promessas pra mim nem pra ninguém, nem usarei o bom senso que agora não me convém
Vou ver onde tudo isso vai dar, como alguém que desengata o carro e o deixa seguir até parar
Assim é a vida para alguns... um jogo de sorte com imunidade contra a tristeza, para outros, um jogo de azar, do qual participei e me aliei à descrença e a tristeza
Mas sobre tudo isso, faço apenas um pedido: que ninguém chore ou lamente, que pense nas possibilidades ou que tudo poderia ter sido diferente, porque a vida segue sua vontade própria, por mais que a gente tente
E aqui vou ficando mais uma vez sem mudar sequer um sentimento aqui descrito
Só não posso dizer onde me encontro neste momento, porque só o que sei e que me apego, é ao sentimento de que estou completamente perdido...”


by Wiltin Ribeiro

14.09.08

Post 32

Especialmente para meu amigo Gui!

“De repente me vejo como se estivesse em um barco no meio do oceano, sem motor, sem velas, sem remos...
Não vejo terra em direção alguma e nem me dou conta de como fui parar ali...
Talvez tenha sido intencional, posso ter ido me afastando do cais pra fugir um pouco de toda a agitação, me isolar simplesmente, ou talvez não, posso ter adormecido, me desligado do mundo, dos amigos e me afastado sem notar que tudo ficava embaçado, fosco e longe de mim.
Me pergunto: Será que alguém sente minha falta? Será que existe algum lugar vazio esperando minha presença? Será que o timbre da minha voz já foi substituído?
Não encontro respostas e me bate uma onda de desespero, solidão e amargura...
Me jogar no mar seria uma solução? Afinal, não sei onde vou parar neste barco, nem sei se vou parar um dia, voltar a pisar em terra firme, sentir segurança.
Então, sempre, no último segundo antes de desistir do mundo, consigo me lembrar que ali, perdido no mar, no lugar onde me encontro, a chuva, o sol, o vento e o calor também me encontram, e se sou merecedor de ainda ter contato com tudo isso, não estou de todo perdido, apenas ainda não fui encontrado, estou no lugar errado e a esperança tem que sobreviver...”


by Wiltin Ribeiro

12.08.08

Post 31

“Assim como o dia passa lentamente
Porque o inferno se esconde em minha mente
E a felicidade se mostra inexistente
Vou pregando meus pregos em minha própria cruz

E quando tudo se desfaz
Deixando eu me sentir ainda mais incapaz
Sabendo que para o mundo isso tudo tanto faz
Vou me embriagando pela beleza da morte lenta que me seduz

É a menina que brinca e fura o pé num espinho
É a mão que te bate, sem nunca ter lhe dado carinho
É o bandido sentado no banco dos réus se fazendo de mocinho
E eu largado num beco, onde não consigo encontrar luz

Vou criando barreiras pra me proteger
Projetando mil formas de como eu gostaria de ser
Esperando encontrar um dia, a paz que eu possa merecer
Aguardando talvez a volta de um novo Jesus...

Mas sei que um dia me liberto disso
Talvez seja falta de puro juízo
Ou uma forma de evitar um maior prejuízo

As dores podem me dilacerar
As palavras podem me detonar
E o amor pode não me salvar

Mas ainda chego lá e olho pra trás
Verei que tudo que fiz, agora me satisfaz
E que o que eu ganhei, não perderei jamais

Mas uma coisa eu posso falar
Sem medo de me arrepender ou de me queimar
A mesma vida que hoje pode tenta me matar
É a vida que por tudo, amanhã vai me pagar...”


by Wiltin Ribeiro

10.08.08

Post 30

“Vejo um velho largado em uma cadeira encostada na parece descascada e manchada de fumaça, que nada faz para espantar o tédio ou reparar os erros que cometeu...
Lá longe se vai alguém magoado por palavras duras que ele disse e nem sequer esboçou sentimento ou se arrependeu.
E com isso, sua vida vai ficando vazia, vai perdendo a resina que veda as rachaduras por onde escoa tudo que poderia ter sido vivido com alegria... As dores causadas ao outros não lhe incomodam, talvez pense: “Antes eles do que eu” – mas não sabe que a dor causada a alguém é um lampejo nítido de algo que muito antes lhe sucedeu.
Ninguém é capaz de dar o que nunca recebeu...
Se encontra em uma posição de desvantagem, não tem mais idade pra se fazer de imaturo e dizer que tudo fez sem saber, por outro lado, não se atreve à ter coragem de procurar no suicídio o consolo que agora viria tão tarde.
Uma vida inteira em vão, um corpo feito de casca que já não sente o toque de nenhuma mão.
Tudo poderia ter sido uma perfeita simetria, mas não passou de uma existência tortuosa e fria causada por um coração marrento que não soube receber o mínimo de amor que até o pior dos seres mereceria...
Bom, lá continua o velho isolado, esperando como um pobre coitado, sua definitiva companhia... a morte logo vem, à noite, madrugada ou dia e o levará para uma existência não muito diferente da que já ele tinha, mas só ele não sabe disso...”


by Wiltin Ribeiro

20.07.08

Post 29

                                                    

“É tão bom ter você por perto
Pra compartilhar até o meu segredo mais secreto
Mesmo sabendo que seu encanto não me fascina, me domina
E que me apaixonar por você, não foi uma possibilidade, era minha sina
Assim como é puro o toque da sua mão e curioso o compasso do seu coração
Você pára cada instante com um simples olhar
Assim como as palavras desaparecem na hora de lhe falar
Queria ser sua primeira lembrança do dia e a razão das suas orações ao se deitar
Na verdade, só queria deitar no seu colo e mesmo por um segundo, conseguir descansar
Porque minha alma afirma que só quando estou com você, a paz é capaz de me alcançar
De onde mesmo você surgiu?
Pra onde mesmo você vai?
Só sei que depois de muito tempo trancado, meu coração se abriu
E sussurrando bem baixinho, apenas me disse: “AMAI”
Onde está você agora?
Em todo o meu corpo, cabeça, alma e mente
Cuidando de mim, como quem cuida da mais valiosa semente
Ressurgindo com a crença, para alguém que andava tão descrente
Tirando toda a dor, num simples ato, de repente
Mostrando que é eterno tudo o que guardamos no coração da gente
Desmentindo que a perfeição não existe, pois em você ela é clara, evidente
Mas pra que falar tanto e correr o risco de perder o encanto que eu quero tanto que seja meu?
Melhor ficar calado e deixar que o coração diga o que com tantas palavras eu já tentei lhe dizer
Não sei se sente o mesmo, mas eu só sei amar você...”


by WILTON RIBEIRO