"DECIFRA-ME OU TE DEVORO"

"...SIMPLESMENTE UMA METRALHADORA VERBAL..."

"DECIFRA-ME OU TE DEVORO"

"...SIMPLESMENTE UMA METRALHADORA VERBAL..."
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Terra Blog

Arquivo de: Novembro 2007

10.11.07

Post 14

“Passei a vida toda imaginando uma forma de ser diferente
E hoje, tudo o que eu queria era ser igual à todo mundo
Sentir a mesma dor que todo mundo sente
Mesmo que este sofrimento fosse ainda mais profundo
Nunca andei nos trilhos
E quando tentei fui atropelado por mil locomotivas
Ainda hoje as lágrimas ficam retidas nos meu cílios
E por mais que eu tente, não dá pra começar uma nova vida
Quando acelero na minha sinceridade
Sou tido como um mentiroso
Ainda que eu fale toda a verdade
Sinto a amargura das suas palavras escorrendo neste visgo grosso
Só queria me deitar, morrer, ir mais além
Quem sabe ser um anjo de uma asa só?
Pra subir para o céu abraçado com alguém
Ao menos uma vez não ser digno de dó
Tudo o que eu faço é visto como uma segunda intenção
E por isso sou punido
Mas só eu sei o que se passa no meu coração
E o peso dos sentimentos que eu trago comigo
Nunca menti pra você
Mas você não acredita que as coisas podem dar errado
Basta falar comigo para seu ódio se reacender
Então na falta de quem culpar, eu sou o culpado
Estou cansado de me explicar
Estou cansado de receber na cara a sua raiva do mundo
Você não tem obrigação de me aceitar
Mas um pouco de respeito não vai lhe causar nenhum ferimento profundo
Não me importa o valor que recebo
O que importa é o que penso de mim
Mas se lhe ouço é porque lhe respeito
E acho que com todo mundo deveria ser assim
É ótimo realmente, pensar que foi bom enquanto durou
E pensar que eram duas pessoas diferentes neste processo
A que eu conheci, e a que você se transformou
E é neste grau de comparação que está a felicidade que eu meço
Engraçado, mas acabou antes do fim
Acabou algo que não teria continuidade por diferenças demais
Melhor mesmo ter sido assim
Pra tirar de mim o que já nem existe mais
O carinho sempre fica
E a amizade pode durar
Bem ou mal, fez parte da minha vida
Uma fita que não vou rebobinar...”

by WILTON RIBEIRO

01.11.07

Post 13

“Não quero ser traído pela minha falta de atenção
Não quero ser lembrado por meu excesso de compaixão
Não pretendo criar uma memória seletiva
Não pretendo apagar as mágoas e lhe trazer de volta à minha vida
Não espero arrependimento algum do que me fez
Não espero agradecimento pelo bem que fiz, somente uma vez
Não tenho medo de altura mais do que estar presente em sua mente
Não tenho gosto de sal que vem do mar e se vai de repente
Não entendo o seu ego altruísta
Não entendo sua carência auto-suficiente e sua singularidade mista
Não volto nem um passo na estrada que percorri
Não volto para os seus braços nem que eu esteja sem lugar para onde ir
Não vou comer suas sobras no canto do prato
Não vou me rastejar por aí, farejando, procurando pelo seu rastro
Não sei se aprendi a contornar a situação
Não sei se engessei ou endureci o meu tão mole coração
Não me lembro do último cigarro que você me tirou da boca
Não me lembro do último trago que a vida me ofereceu de alguma coisa boa
Não vendo minha alma ao diabo em busca de felicidade
Não vendo minha morada a você, ferindo minha integridade
Não esqueço facilmente de nada e me apego facilmente a tudo
Não esqueço de você, mas sei fingir que estou em outro mundo
Não quebro paredes para aumentar meu espaço
Não quebro barreiras, meu rumo eu mesmo faço
Não sou saudosista ou sentimentalista pra lamentar o que passou
Não sou centralista nem narcisista, mas posso medir o valor que me dou
Não rego as flores do meu jardim todo dia, pois a água que cai, tanto esquenta quanto esfria
Não rego meu cantinho sagrado, pra criar conforto para sua companhia
Não te vejo e finjo que não vi
Não te vejo e finjo que sinto algo que nunca senti
Não cultivo mágoa do meu tempo medido por sua dor
Não cultivo raízes pra não ficar preso onde eu fôr
Não peço permissão pra chorar
Não peço lenços também para amparar as lágrimas que podem rolar
Não peço que me diga nada, mas depois de dizer não tem volta
Não peço seu remorso, arrependimento ou revolta
Não sou eu quem dita as regras
Não sou eu quem tenta sempre andar em linhas retas
Não vou gastar mais tempo escrevendo o que não sei dizer
Não vou gastar mais meu pensamento tentando lhe entender
Não caio se não puder me levantar sozinho
Não caio perto de você e do seu tão protegido ninho
Não sou nada nem nada sou, além de minha imaginação
Não sou nada nem nada sou, além das coisas que aprendi à dizer não...”

by WILTON RIBEIRO