"DECIFRA-ME OU TE DEVORO"

"...SIMPLESMENTE UMA METRALHADORA VERBAL..."

"DECIFRA-ME OU TE DEVORO"

"...SIMPLESMENTE UMA METRALHADORA VERBAL..."
<<  2007  >>
Jan Fev Mar Abr
Mai Jun Jul Ago
Set Out Nov Dez
Buscar
Receba os posts
Terra Blog

Arquivo de: 2007

12.12.07

Post 15

                 

"Por que a gente age assim?
Destruindo as flores e cultivando as ervas daninhas do jardim?
Atirando pedras no céu, que vão cair novamente sobre nossas cabeças
Contando vantagens de nossas conquistas e nunca repartindo nossas tristezas
Não quero ser como a menina que pediu por paz e morreu de tédio
Nem ficar pulando todo dia sem pára-quedas de prédio em prédio
Só queria chegar a um ponto onde pudesse falar sobre tudo
E não te encontrar e sem palavras, me sentir como um mudo
Somos duas pessoas distintas querendo repartir uma vida
Somos duas pessoas iguais, que tentam curar a mesma ferida
Por que a gente é tão infantil?
Guardando nosso tesouro embaixo do travesseiro, num ato insano e vil?
Reclamando o que passou sem aproveitar o que temos no presente
Apunhalando um ao outro sem dó, e sempre bancando o inocente
Vamos chutar o balde ao menos uma vez e ver no que dá
Vamos nos jogar de cabeça sem medo e tentar ao menos uma vez conhecer o que é amar
Somos duas pessoas em busca de algo comum, esperando que ela surja do nada
Somos duas pessoas em busca de algo diferente, esperando que um dia brote como flor bem a nossa frente
Por que a gente prefere a solidão?
Por que a gente perdeu completamente toda a ilusão?
Contabilizando os erros que cada um cometeu
E fazendo o impossível pra tornar irreal tudo aquilo que se prometeu
Não quero ser como o garoto que perde a pipa e passa a vida esperando ela voltar
Nem ficar sentado na rua mendigando amor, como se fosse algo simples de se dar
Somos duas pessoas estranhas tentando se conhecer
Somos duas pessoas conhecidas correndo pra se esconder
Por que a gente não pára com tudo isso?
Por que não nos damos as mãos e tentamos começar tudo desde o início?
Apenas não quero mais ser como o velhinho que perdeu a chance de ter o que queria e preferiu a morte
Quero ser o cara que olha pra trás e sorri toda vez agradecendo à boa sorte
E nisto tudo o que digo, você tem opção...
Ou me tira de vez da sua vida, ou me acolhe pra sempre no seu coração!"

By WILTON RIBEIRO

10.11.07

Post 14

“Passei a vida toda imaginando uma forma de ser diferente
E hoje, tudo o que eu queria era ser igual à todo mundo
Sentir a mesma dor que todo mundo sente
Mesmo que este sofrimento fosse ainda mais profundo
Nunca andei nos trilhos
E quando tentei fui atropelado por mil locomotivas
Ainda hoje as lágrimas ficam retidas nos meu cílios
E por mais que eu tente, não dá pra começar uma nova vida
Quando acelero na minha sinceridade
Sou tido como um mentiroso
Ainda que eu fale toda a verdade
Sinto a amargura das suas palavras escorrendo neste visgo grosso
Só queria me deitar, morrer, ir mais além
Quem sabe ser um anjo de uma asa só?
Pra subir para o céu abraçado com alguém
Ao menos uma vez não ser digno de dó
Tudo o que eu faço é visto como uma segunda intenção
E por isso sou punido
Mas só eu sei o que se passa no meu coração
E o peso dos sentimentos que eu trago comigo
Nunca menti pra você
Mas você não acredita que as coisas podem dar errado
Basta falar comigo para seu ódio se reacender
Então na falta de quem culpar, eu sou o culpado
Estou cansado de me explicar
Estou cansado de receber na cara a sua raiva do mundo
Você não tem obrigação de me aceitar
Mas um pouco de respeito não vai lhe causar nenhum ferimento profundo
Não me importa o valor que recebo
O que importa é o que penso de mim
Mas se lhe ouço é porque lhe respeito
E acho que com todo mundo deveria ser assim
É ótimo realmente, pensar que foi bom enquanto durou
E pensar que eram duas pessoas diferentes neste processo
A que eu conheci, e a que você se transformou
E é neste grau de comparação que está a felicidade que eu meço
Engraçado, mas acabou antes do fim
Acabou algo que não teria continuidade por diferenças demais
Melhor mesmo ter sido assim
Pra tirar de mim o que já nem existe mais
O carinho sempre fica
E a amizade pode durar
Bem ou mal, fez parte da minha vida
Uma fita que não vou rebobinar...”

by WILTON RIBEIRO

01.11.07

Post 13

“Não quero ser traído pela minha falta de atenção
Não quero ser lembrado por meu excesso de compaixão
Não pretendo criar uma memória seletiva
Não pretendo apagar as mágoas e lhe trazer de volta à minha vida
Não espero arrependimento algum do que me fez
Não espero agradecimento pelo bem que fiz, somente uma vez
Não tenho medo de altura mais do que estar presente em sua mente
Não tenho gosto de sal que vem do mar e se vai de repente
Não entendo o seu ego altruísta
Não entendo sua carência auto-suficiente e sua singularidade mista
Não volto nem um passo na estrada que percorri
Não volto para os seus braços nem que eu esteja sem lugar para onde ir
Não vou comer suas sobras no canto do prato
Não vou me rastejar por aí, farejando, procurando pelo seu rastro
Não sei se aprendi a contornar a situação
Não sei se engessei ou endureci o meu tão mole coração
Não me lembro do último cigarro que você me tirou da boca
Não me lembro do último trago que a vida me ofereceu de alguma coisa boa
Não vendo minha alma ao diabo em busca de felicidade
Não vendo minha morada a você, ferindo minha integridade
Não esqueço facilmente de nada e me apego facilmente a tudo
Não esqueço de você, mas sei fingir que estou em outro mundo
Não quebro paredes para aumentar meu espaço
Não quebro barreiras, meu rumo eu mesmo faço
Não sou saudosista ou sentimentalista pra lamentar o que passou
Não sou centralista nem narcisista, mas posso medir o valor que me dou
Não rego as flores do meu jardim todo dia, pois a água que cai, tanto esquenta quanto esfria
Não rego meu cantinho sagrado, pra criar conforto para sua companhia
Não te vejo e finjo que não vi
Não te vejo e finjo que sinto algo que nunca senti
Não cultivo mágoa do meu tempo medido por sua dor
Não cultivo raízes pra não ficar preso onde eu fôr
Não peço permissão pra chorar
Não peço lenços também para amparar as lágrimas que podem rolar
Não peço que me diga nada, mas depois de dizer não tem volta
Não peço seu remorso, arrependimento ou revolta
Não sou eu quem dita as regras
Não sou eu quem tenta sempre andar em linhas retas
Não vou gastar mais tempo escrevendo o que não sei dizer
Não vou gastar mais meu pensamento tentando lhe entender
Não caio se não puder me levantar sozinho
Não caio perto de você e do seu tão protegido ninho
Não sou nada nem nada sou, além de minha imaginação
Não sou nada nem nada sou, além das coisas que aprendi à dizer não...”

by WILTON RIBEIRO

30.10.07

Post 12

“Me lembro do tempo que podia entrar na sua casa quando queria
Que ali era meu refúgio, minha morada, minha alegria
Me lembro da sua janela aberta, que hoje eu vejo e sei que está só
Me lembro de encostar nela e fumando meu cigarro, sentir seus olhos me observarem sem medo, sem dó
Me lembro das suas palavras e da fé que eu depositava nelas
Me lembro dos seus beijos , do seu cheiro, das suas manias e caras que me deixavam de sentinela
Me lembro do EU GOSTO DE VOCÊ...
Palavras que sei que mais cedo ou mais tarde conseguirei esquecer
Me lembro do cheiro do seu quarto
Da cama que eu me deitava pra ficar a seu lado
E que dali não queria mais sair
Me lembro do seu primeiro convite proposital
E da timidez de aceitar, parecendo natural
Me lembro de cada música que ouvimos juntos
De cada minuto que esquecíamos o mundo
De cada coisa que achávamos absurdo
E me lembro de ver chegar o seu silêncio profundo
Me lembro de lhe perguntar se eu devia me resguardar
Se eu devia me conter pra não lhe amar
E de você dizer: NÃO ESQUENTA, DEIXA ROLAR...
Me lembro da sua proposta
Aquela exagerada, como você mesmo gosta
Me perguntando se me mordia ou matava
E eu dizia que podia fazer o que quisesse, podia deixar sua marca
Me lembro de quantas vezes me entregou a chave da sua porta
Eu acreditando que não era pra eu ir embora
E levava na brincadeira
Sem maldade, sem manha faceira
Me lembro de tudo o que aprendi
Me lembro até do que eu esqueci
Me lembro de quando dizia que estava na hora de ir embora
E de você dizer que era a pior hora
E me lembro também da forma que terminou e me feriu
Mas realmente não me lembro, se tudo isso foi imaginação ou se realmente existiu...”

by WILTON RIBEIRO

08.10.07

Post 11

"Descobri da maneira mais difícil
Que sempre estive sozinho
Minha cabeça sobe às nuvens como um míssil
Explodindo de dor nessa falta dilacerante de carinho

Caio por terra implorando a piedade da morte que sempre me diz não
E as lágrimas rolam como se fossem infinitas
Não ouço minha voz nem sinto meu coração
E desisto de compreender a finalidade banal do que seria a vida

Fico esperando o cometa passar
Pra que eu possa voar com ele ou me queimar em seu fogo
Mas de onde estou não consigo enxergar
É mais escuro ainda o fundo do meu poço

E as fábulas de final feliz não foram escritas para mim
Nunca senti a felicidade completa rondando o meu ser
Procuro incessantemente o meu fim
Ou simplesmente uma forma irrevogável de me perder

Onde está Deus quando oro?
Onde está os amigos quando eu caio?
Onde está a resposta quando eu imploro?
Onde está a luz do dia, quando abro a porta e saio?

Cansado, não enxergo solução
Calado, não consigo compreensão
Afogado, me entrego em suas mãos
Arrependido, me sinto jogado no chão

Não vou viver nem mais um dia
Não vou me explicar como um bandido
Não tenho a vida que eu queria
E já me cansei de tudo isso

Vou fechar a janela
Trancar a porta
Aceitar minhas seqüelas
E fazer parte dessa paisagem morta

Não chores por mim quando eu me fôr
Não seria pior que estar aqui
Não lamente o que podia ter sido, por favor
E lembre-se que apenas não resisti

Deixo meu baú de saudades e neuras
De amizades que não posso concluir se foram verdadeiras
Deixo meu corpo pra ser lembrado
E sigo rumo a algo que mais uma vez será um pecado

O julgamento foi feito e eu compreendo
Vou aprender a deixar tudo voar com o vento
Vou passar por este fio de navalha que me corta
E talvez um dia a gente se encontre novamente, do outro lado dessa porta!"

by WILTON RIBEIRO